Ainda não há textos cadastrados para o 2º bimestre.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
1º BIMESTRE
ESTUDAR PARA QUÊ? O QUE O FUTURO ME
RESERVA?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cjornalista/gd230307.htm
"Este artigo tem
como principal motivação uma dúvida que atormenta tantos estudantes:
"Estudar para quê?" Por que devo ir à escola? Aonde irei chegar com
os conhecimentos que me são legados através da educação? Todo o esforço que
realizamos ao longo de vários anos que resultado tem para nossas vidas futuras?
Essa é uma questão que
está na cabeça de nove em cada dez alunos que entram nas escolas brasileiras,
principalmente a partir da 5ª série (ou 6º ano) do ensino fundamental.
Coincidentemente, é a partir desse momento que esses alunos começam a perceber
que a escola é sempre a mesma desde o momento em que nela entraram, ainda na
educação infantil.
E é muito provável que
essa dúvida surja em associação com o próprio descrédito que a instituição
escolar passa a ter perante esses estudantes em virtude de seu imobilismo,
falta de criatividade, desconexão com os acontecimentos do mundo e ausência de
vigor e de maior interesse pela vida.
Acho, portanto, que
essa questão levantada pelos estudantes direciona-se não só a eles mesmos, mas
principalmente aos pais e educadores. É uma pergunta de inestimável valor. O
que pretendemos fazer com nossas crianças, adolescentes e jovens que frequentam
os bancos escolares durante períodos de 12 ou 15 anos?
Gostaria de me imaginar
na pele de um menino ou de uma menina de 12 anos ou, quem sabe, até mesmo no
auge da adolescência, aos 15 ou 16 anos... Influenciado pelos pais ou pelos
professores, a resposta desse aluno(a) seria mais ou menos essa: "Estudo
para que no futuro tenha condições de ter uma profissão e de me destacar dentro
do ramo de trabalho que escolher".
Essa resposta, muito
comum entre as ponderações dos estudantes, é dada com base em comentários,
influências e sugestões de pais e professores. Seu caráter utilitarista indica
uma tendência associada à própria lógica e dinâmica do mundo em que vivemos e
do sistema sócio-econômico dominante, o capitalismo. Longe de mim utilizar o
espaço para analisar as estruturas desse modo de produção. O que vale é a
constatação de como há uma verdadeira camisa de força que nos indica os
caminhos das escolhas profissionais desde a mais tenra idade.
Conheço casos de pais
que desde as séries iniciais do ensino fundamental escolhem as escolas de seus
filhos pensando na aprovação nos concorridos vestibulares das melhores
universidades brasileiras para os cursos mais disputados, como medicina,
direito, engenharia, administração. Não há nenhuma preocupação com a felicidade
e a formação integral desses estudantes. E o que quero dizer com isso? Que
carecemos de maior atenção aos aspectos humanizadores, aqueles que irão
assentar as nossas relações com as outras pessoas e que, também, nos darão
sustentação emocional e intelectual para compreender o mundo em que estamos
inseridos.
Afinal de contas, de
que adianta formar médicos, advogados ou engenheiros que conhecem muito de suas
áreas de trabalho e que tecnicamente são impecáveis, se esses profissionais não
são capazes de comunicar-se, interagir, respeitar e legar ao próximo (e a si
mesmos) o valor, a dignidade, a simpatia e a felicidade? De que adianta a vida
sem sensibilidade? Onde reside a felicidade se ela não está nas relações que
estabelecemos com o mundo e com as pessoas? Não adianta apenas o domínio da
técnica se não falamos ao coração, se não atingimos a alma.
O que se vê é um
distanciamento entre a sala de aula e as ruas, a vida, as pessoas, os
acontecimentos do dia-a-dia. Matemática que ensina tendo por base os mercados
onde as famílias fazem suas compras; história ensinada nas praças públicas, no
contato com as pessoas de mais idade, no exame do nome dado a ruas; português
aprendido com o auxílio da música, do teatro ou de jornais diários; geografia
entendida pelo passeio e observação dos processos produtivos ou das
características naturais de um ambiente a partir de visitações; em suma, a
escola precisa do mundo para se mostrar viva, atraente, envolvente e
significativa para os estudantes.
Tornar a escola um
espaço em que há uma preocupação demasiada com a formação profissional, o mercado
de trabalho, o conforto futuro que todos desejam ter e a possibilidade de ter
uma conta bancária polpuda não pode nunca ser o principal objetivo da sociedade
e da educação. E, em muitos casos, é isso exatamente que está acontecendo.
Trata-se de uma enorme irresponsabilidade de todos aqueles que são artífices e
cúmplices desses acontecimentos.
A escola deve
emancipar. A educação deve dar asas. Os professores têm que incentivar o
espírito científico. Nas salas de aula temos que ensinar ética, respeito, civilidade.
O ser humano íntegro, seguro, confiante e feliz deve ser o objetivo maior de
todo e qualquer processo e realização educacional. Desse modo teríamos então
respondido de um modo mais do que satisfatório à pergunta que inicia essa
reflexão...",
João Luís
Almeida Machado, professor universitário - profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
